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Agonia do Rei

  • brunagflausino61
  • 15 de abr. de 2021
  • 5 min de leitura

A noite caiu, depois de entoar salmos se retirou numa profunda agonia para orar no Jardim das Oliveiras, pedindo ao Pai que se fosse possível afastasse de si aquele cálice (cálice da consumação), contudo que fosse feita a Sua Vontade.

Ora, os meus olhos se abriram para o cálice que havia de beber, o cálice da consumação, pois não saia do Jardim das Oliveiras cantando salmos a meu Senhor sem lhe dirigir a súplica da agonia como o Metre Jesus.

Disseste bem que já não beberia do fruto da videira até que o bebesse novamente no Reino de Deus (Mc 14,24).

- Não devo eu também participar de vossa ceia e beber de vosso cálice? Se vossa ceia tem o seu termino na cruz não devo eu participar dela por inteiro?

Efeta! – Disseste – e eu pude ver, pois o defensor conseguiu me tirar a venda que me cegava, as escamas que me impediam de enxergar.

Vou me abandonar em vossas mãos tal como uma criança em seio materno (Sl 130, 2), lhe entregando o que aflige minha alma.

Sei que é necessário me colocar diante de ti a angustia que me devora, pois também provo deste amargo sofrimento, para que chegue a tão sonhada Canaã, a pátria celestial me aguarda, onde então eu provarei da felicidade eterna, do cálice dos eleitos.

Qual vigia aguardam a manhã (129) é minha alma em angustia suprema com o seu Senhor, que por sua vez tanto sofre pelo peso de minhas penas que seu suor toca o chão em gotas de sangue, pois carregando o fardo de meus pecados e os do mundo inteiro sofreste de uma agonia maior que algum dia serei capaz de chegar.

Como sofrestes em Vossa profunda agonia, pelo peso tão grande dos pecados de seu rebanho. As gotas de sangue que saiam de Vossa amada face já tocavam o chão. Quanto mais se encontrava naquele sofrimento, mais clamava ao Senhor.

Senhor Jesus, ajude-me a ser fiel como fostes fiel Aquele que te enviou, mesmo que o sangue escorria sobre seu rosto se manteve firme e vigilante, dai-me a coragem e a perseverança de permanecer firme na oração em meio as tribulações e adversidades da vida presente.

Quanto maior for o sofrimento, maior deve ser o meu clamor, e acima de Tudo estar de acordo com aquilo que desejas que se cumpra.

Uno-me a ti agonizando pelo meu fardo pesado, o peso do passado que me impedem de chegar ao seu lado, devendo então me abandonar como abandonastes e enfrentar o medo assombroso que me rodeia, sair da cadeia e encarar o que está a me esperar.

Estavam contigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, que ao retornar da oração os encontrou dormindo. Repreendeu-os “ Vigiai e orai, o Espirito está pronto, mas a carne é fraca”. Voltou a orar, mas outra vez voltou e os encontrou dormindo, deixou-os e se pôs em oração novamente. Pela terceira vez retornou e acordou-os para dar-lhes a notícia de que sua hora estava próxima (Lc 26, 36-46).

Ó doce e paciente Jesus, que reconhece a fragilidade dos seus discípulos mas aconselha com a firmeza de suas palavras a oração e vigilância, pois o espírito está pronto, mas a carne é débil (Mt 26, 41), ajudai-me a reconhecer as minhas fragilidades e a perseverar com o teu auxílio, pois encontramos um exemplo magnífico de perseverança, que mesmo em meio a profunda agonia por causa do cálice que iria beber (o cálice da consumação) e sob o peso de nossos pecados, esvazia- se de si mesmo para fazer a Vontade de Deus Pai ( Mt 26, 39).

Senhor, que esteja sempre em oração e vigilância para que não caia em tentação. Que esteja sempre atenta para defender a pureza com todas as minhas forças.

Senhor que esteja sempre em oração e vigília para que não caia em tentação. Que esteja sempre atenta e dai-me coragem para defender a fé.

Por fim, morrerá em mim as más inclinações e a sua vitória sobre os vícios, gerando um amadurecimento na fé.

Me ensina o poder que tem oração, através da Tua oração aprendo que devo “rasgar o meu coração” e a clamar por uma verdadeira contrição de meus pecados que muito lhe pesaram, através da mesma o Senhor me dá forças para aceitar, suportar e vencer os sofrimentos, provações e tentações durante a caminhada.

Deus Pai olhando para a Sua súplica se manifesta e o consola (Lc 22, 43), me recordando tantas vezes que o mesmo Pai Celestial permitindo alguma tribulação para me fortalecer, pois o Senhor não permite alguma situação pela qual não possa produzir bons frutos (Is 55, 11) envia consolações para me animar o espírito.

Revive minha alma, ó Senhor me dando força para orar, como a Seu exemplo no Jardim das Oliveiras que colocou a Tua confiança em Deus Pai, Ele por sua vez, viu a sua agonia, enviou-lhe o Teu anjo para Lhe consolar.

Para perseverar, assim como Jesus nas tribulações peço-Te que venha em meu auxílio me dando para aguentar firme as perseguições, sobretudo nestes tempos de perseguições ideológicas a Santa Igreja.

Manifesta Senhor o teu poder a todo momento, consolando Tua Igreja que participa incessantemente deste mistério da Vossa profunda agonia.

Manifesta Teu poder me livrando das tentações e fé para clamar a Tua intervenção, mas que seja feita somente e absolutamente, nada menos que Tua Vontade.

Revive minha alma, dando-me forças para orar para me dilatar as consolações.

Peço-Te a virtude da fortaleza para que a exemplo da Vossa fidelidade no Getsémani continue fiel a Ti em meio aos sofrimentos.

Ó Senhor, o rei que em sua agonia carregava o peso dos pecados de pequenas e miseráveis ovelhas, suportastes pacientemente todo o sofrimento que se passava em Teu coração naquela noite tão agoniante e o sono de seus apóstolos que não conseguiram vigiar contigo enquanto não chegava o traidor com os soldados para Lhe entregar com o beijo.

Sim, Judas, um dos vossos amigos iria vos trair e quando este chegou com os soldados pelo preço de 30 moedas de prata o beijou no rosto para que os soldados o reconhecesse.

Que eu nunca te troque Senhor, nem pelo preço de 30 nem de 100, pois o preço de vossa companhia tesouro nenhum pode se comparar.

-Como tenho consolado aquele beijo da traição em Tua amável face?

As minhas atitudes podem trair a Ti, mesmo que 30 moedas de prata (Mt 26, 15) parecerem ser uma pouca quantia – assim como o pecado venial – peco quando te troco por tão miseras moedas.

- Tenho vigiado contigo?

Devo vigiar contigo, principalmente zelar pela minha alma, como as virgens a esperar o noivo chegar para a festa de casamento (Mt 25, 1-13).

A qualquer momento podes chegar e me pergunto:

- Como estará minha alma para receber-Te?

Não quero estar dormindo quando voltar, quando o mal vier espreitar ou quando o irmão de mim precisar.

Derramo-me aos Teus pés, assim como me ensinas no Jardim da Oliveiras, rasgando meu coração, pedindo-Lhe para que venha em meu auxilio para que não Vos ofenda, abandonando o pecado e tudo o que me afasta de Ti.

Pergunto minha alma:

-O que fazer para não cair na tentação e não ferir meu amado Senhor?

Responde-me:

-Dialogue somente com o Senhor teu Deus e não com o pecado nem a tentação. Dê ouvidos ao bom Pastor, não vale a pena discutir nem com intenção de renunciar, mas antes converse com o Senhor e peça a graça da fortaleza e focalize o teu olhar nos braços abertos do Senhor, cheios de misericórdia.

-Vinde a mim, disse o Salvador.

Escute-o, pois, com atenção e não desvie o teu olhar dele, não olhes para tentação nem ao tentador - concluiu minha alma.


 
 
 

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